Seminário Economia do Mar consolida
papel estratégico do Maranhão na fronteira do desenvolvimento sustentável.
Evento reuniu atores ligados à economia do mar, reforçando a
capacidade do setor para gerar desenvolvimento com a inserção do estado e dos
pequenos negócios.
Em meio a debates sobre transição energética e ao
avanço da chamada Economia Azul no Brasil, o Maranhão entrou no centro das
discussões sobre o futuro do setor marítimo. O Sebrae, a FIEMA e a Associação
Brasileira de Empresas da Economia do Mar (ABEEMAR) realizaram o 7º Seminário Economia do Mar,
reunindo autoridades, empresários, universidades, centros de pesquisa e
estudantes para debater estratégias capazes de transformar o potencial oceânico
do estado em desenvolvimento econômico, inovação e novas oportunidades.
O Maranhão detém posição geopolítica privilegiada na Margem
Equatorial brasileira e conta com 640 km de litoral, condições que se somam à
dinâmica de um Complexo Portuário com reconhecida eficiência e a um conjunto de
ações institucionais em cadeias produtivas complementares. Diante desse
potencial, São Luís tornou-se a primeira capital da região a promover um debate
estruturado sobre a economia do mar, sediando também o primeiro evento do
segmento realizado no Nordeste.
Durante a abertura do seminário, promovido nesta
quinta-feira (14), o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão,
Celso Gonçalo de Sousa, ressaltou a dinâmica de negócios nesse ecossistema. “O
Maranhão reúne condições únicas para participar desse processo como
protagonista: posição geográfica estratégica, relevância portuária, potencial
energético e capacidade de expansão e geração de negócios ligados à economia
azul. Mas, é preciso mais investimentos, ações e planejamento de forma contínua
e eficiente”, destacou o presidente.
O presidente em exercício da FIEMA, Fábio Nahuz, reforçou as
perspectivas de futuro a partir desse marco. “Vivemos um novo momento, com a
implantação da ZPE e o debate sobre a economia do mar e economia azul. Isso nos
traz perspectiva de uma mudança de patamar e para que a gente possa realmente
aumentar o PIB estadual, gerar mais empregos de qualidade e trazer a
industrialização tão esperada por nós para o Maranhão”, disse Nahuz.
Já o vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando
Renner, lembrou que o seminário é um desdobramento do encontro realizado em
março com especialistas da Seenemar para apresentar como o Rio de Janeiro
estava tratando sua Economia do Mar. Ele observou o papel da iniciativa como
catalisadora do debate sobre como aproveitar o potencial maranhense. “O
seminário deixou resultados importantes, mostrando caminhos para aproveitar os
recursos oceânicos de forma sustentável e equilibrada, podendo gerar grandes investimentos
e oportunidades para os maranhenses. A colaboração entre empresas, governo e
academia é essencial para o desenvolvimento de todo esse potencial”, avaliou o
executivo.
De forma complementar, o presidente da ABEEMAR, João
Azeredo, reiterou a qualidade dos debates. “Ressaltamos a profundidade da
discussão sobre a Margem Equatorial, entre outros temas, e as altas
expectativas para o desenvolvimento econômico e social da região, com foco na
geração de empregos e renda. A importância da ação não está apenas no diálogo,
mas na necessidade de avançar do potencial para a concretização de projetos,
incluindo a preparação para a exploração de petróleo”, afirmou.
Também
participaram da abertura do evento o secretário-adjunto da Secretaria de Estado
de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos do Maranhão, José
Domingues Neto; Sérgio Bacci, presidente da Transpetro; Rakel Murad, presidente
da ZPE/MA; Cauê Aragão, presidente da Investe Maranhão, e Walter Canales,
reitor da UEMA.
Fortalecendo os negócios e o
potencial empreendedor do Maranhão: Sebrae recebe reconhecimento
O fomento à cadeia produtiva
esteve em destaque no painel "Empreendedorismo na Economia do Mar — Selo
Azul". Com participação do diretor superintendente do Sebrae Maranhão,
Albertino Leal, o debate mostrou ações de valorização das micro e pequenas
empresas locais e a articulação de cadeias produtivas importantes, como
artesanato, pesca e o turismo costeiro, abordando linhas de crédito para
negócios que atuam de forma ecologicamente correta em áreas litorâneas.
Durante a palestra, foram destacadas iniciativas como o
Cidade Empreendedora e o Juros Zero, além das ações do Sebrae voltadas à
preparação das empresas para uma gestão mais eficiente, inovadora e
sustentável. A atuação da instituição na articulação de parcerias locais
recebeu reconhecimento dos participantes, que sugeriram a inclusão da categoria
Economia do Mar no Prêmio Prefeitura Empreendedora em âmbito estadual, seguindo
o exemplo adotado no Rio de Janeiro.
“Fico muito feliz com a
repercussão do trabalho que o Sebrae faz no Maranhão e fora do estado. Temos
demonstrado essa capacidade e atuado como protagonistas, nos colocando como
parceiros e partícipes das estratégias de desenvolvimento de inclusão e geração
de oportunidades para os pequenos negócios. Ficamos muito felizes, pois isso
mostra que estamos no caminho certo”, comentou o superintendente do Sebrae.
Programação técnica reforça condições estruturais e
ambiente institucional do Maranhão
No painel intitulado "Margem Equatorial para o Maranhão
— Cidades Costeiras Resilientes", os debates giraram em torno da
exploração segura e sustentável de petróleo e gás na região, que se desenha
como um novo vetor de crescimento energético do país a partir da Margem
Equatorial.
Já o painel "Portos e Logística — Integração Global e
Desenvolvimento" abordou a excelência portuária maranhense, discutindo a
expansão da infraestrutura aquaviária, gargalos de navegação e os novos
investimentos em pesquisa, novas plantas industriais e inovação tecnológica
liderados pelo Porto do Itaqui (EMAP).
Negócios, Tecnologia e
Energias Renováveis
A programação da tarde foi
iniciada com palestra técnica de grande interesse mercadológico para o
empresariado local, sobre o tema "Como Fazer Negócios com a Petrobras e a
Transpetro". A apresentação desmistificou o processo de compras das estatais,
mostrando os caminhos e as conformidades técnicas necessárias para que pequenas
e médias empresas fornecedoras do Maranhão consigam integrar essa gigantesca
cadeia de valor.
A inovação tecnológica ainda
ganhou espaço no terceiro bloco temático da tarde, "Tecnologia e
Transformação Digital no Mar — IA e IoT", que abordou como a Inteligência
Artificial e a Internet das Coisas estão revolucionando o monitoramento da costa
brasileira e ajudando a otimizar a segurança.
Selo Azul - O evento
também colocou em evidência o Selo Azul – Cidades Costeiras, uma certificação
internacional que atua como ferramenta de governança e fomento econômico para
apoiar as prefeituras a transformarem o litoral em polos de desenvolvimento
sustentável, que deverá ter o Sebrae como um grande parceiro no Maranhão.
Fechando as discussões
técnicas, o painel "Potencial de Eólica Offshore no Maranhão"
destacou as vantagens competitivas do Maranhão na geração de energia limpa a
partir do regime de ventos, demonstrando que o estado reúne as características
ideais (profundidade e constância de ventos) para atrair investimentos
internacionais no mercado de hidrogênio verde e com a transição energética
global.
Setor empresarial ressalta conjunto de oportunidades
Com mais de 90% de pequenos
negócios entre as empresas ativas, o Maranhão tem no aproveitamento dessa
janela de oportunidades trazidas pela economia do mar alguns caminhos para o
desenvolvimento. Reconhecendo várias oportunidades nesse aspecto, empresários
defenderam a preparação para aproveitar oportunidades.
Marcos Felipe, gerente de operações da Tropical Ship Supply,
que atua na cadeia de fornecimento de suprimentos e produtos materiais e
equipamentos, destaca que essa é uma área em expansão na costa do estado. “O
evento serviu para conscientizar, mostrar, e abrir caminhos para as empresas e
para os empresários, mostrando os nossos potenciais. Temos bastante
oportunidades e precisamos estar preparados”, disse ele.
Cláudio Neves é engenheiro mecânico e consultor
especializado em manutenção de frota. Para ele, o seminário permitiu vislumbrar
oportunidades relevantes para o Maranhão. “Somos um estado com grande potencial
de desenvolvimento ainda pouco explorado. Precisamos conhecer as oportunidades
e nos preparar para gerar um desenvolvimento responsável, que respeite o meio
ambiente e as populações locais, mas traga novos horizontes para o nosso
estado”.
O seminário consolidou o Maranhão como um dos
estados mais promissores para o desenvolvimento de negócios ligados ao
potencial oceânico, reunindo diferentes setores em torno de um objetivo comum:
transformar oportunidades em investimentos, geração de emprego, inovação e
desenvolvimento sustentável.
Abertura do Seminário reúne
representantes instituições, fortalecendo potencial do Maranhão na economia do
mar.
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Presidente do Conselho
Deliberativo do Sebrae, Celso Gonçalo, ressalta necessidade de investimentos,
preparação empresarial e planejamento para avanços. |
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Setor produtivo participa do
Seminário, com boas expectativas sobre esse novo momento da economia estadual. |
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Da esquerda para a direita:
Fábio Nahuz, Priscilla Oliveira, Celso Gonçalo, Cristiano Barroso Fernandes e
João Azeredo, durante o 7º Seminário de Economia do Mar. |